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Exposição em SP homenageia padre Júlio e pessoas em situação de rua
Mostra é gratuita e estará em exibição até novembro 
Agência Brasil - Por Matheus Crobelatti*
Publicado em 21/09/2026 11:48
Vocall News
© Tr3ze/Divulgação.

Muitas vezes, a relação que a sociedade estabelece com a população em situação de rua é de distanciamento. As pessoas fingem que a população de rua não existe, desviam o olhar, correm ou atravessam a rua.

Foi a partir dessa perspectiva que o artista plástico Geraldo Lacerdine montou a exposição “A alfabetização do Olhar - um ato de amor e responsabilidade”. Além de homenagear o padre Júlio Lancellotti e a atuação da Pastoral do Povo da Rua, a mostra busca aproximar as pessoas em situação de rua do restante da sociedade. 

São mais de 100 fotografias reunidas na Lacerdine Galeria de Arte, localizada no bairro Higienópolis, em São Paulo. Também estão dispostos textos, instalações e vídeos, além de diversos prêmios e reconhecimentos que Padre Júlio recebeu ao longo da trajetória.

Exposição em São Paulo homenageia Padre Júlio e pessoas em situação de rua. Foto: Tr3ze/Divulgação.
Mais de 100 fotografias compõem exposição que homenageia o padre Júlio Lancelotti - Foto Tr3ze/Divulgação.

Os quadros apresentam registros dos fotógrafos Daniel Camargo Kfouri, Fernando Jenzen, Tr3ze e Victor Angelo Caldini, que mostram o trabalho de Lancellotti desde o período da pandemia de covid-19, em 2020. 

O padre Lancellotti disse à Agência Brasil que a alfabetização do olhar busca ensinar o espectador a ver essas pessoas não como “anjos ou demônios”, mas como seres humanos reais e complexos.   

O curador da exposição, Geraldo Lacerdine, conta que o padre Júlio apenas permitiria a realização da mostra se as pessoas em situação de rua tivessem protagonismo.

“Quando a gente propôs a exposição para o padre Júlio, a primeira coisa que ele falou foi o seguinte: se vocês querem fazer uma homenagem a mim e ao meu trabalho, façam uma exposição em que as pessoas na situação de rua sejam o centro, e não eu”, contou Lacerdine. 

Algumas fotografias focam a atenção nas ações humanitárias, representando o padre Júlio quase como um santo. Outras preferem mostrar as pessoas em situação de rua, evidenciando suas dores, mas também momentos de alegria e dignidade.

Além de uma fotografia documental, que coloca o objeto em cena distante do observador, a exposição também explora formatos que aproximam os visitantes da imagem. 

Um exemplo disso são três imagens de mulheres em situação de rua sorrindo para a câmera. A disposição das fotografias cria uma aproximação entre as mulheres e os observadores, o que dialoga diretamente com a ideia de “alfabetização do olhar”.

Exposição em São Paulo homenageia Padre Júlio e pessoas em situação de rua. Foto: Tr3ze/Divulgação.
Exposição em São Paulo homenageia Padre Júlio e pessoas em situação de rua - Foto Tr3ze/Divulgação.

As imagens criam esse senso de conexão porque foram tiradas com respeito e confiança mútua entre os fotógrafos da Pastoral e as pessoas representadas.

“As fotos não são posadas ou artificiais. Elas capturam momentos espontâneos resultantes de um longo período de convivência e conhecimento mútuo entre os fotógrafos e as pessoas retratadas”, disse padre Júlio.

Segundo o fotógrafo Tr3ze, [Para registrar essas pessoas], você tem que realmente andar entre elas, conviver entre elas e ganhar confiança. "Meus registros começaram fotografando as filas de distribuição de pães e, aos poucos, as pessoas vinham conversar comigo”, afirmou.

Ele conta que o processo demanda certa atenção, porque muitos acham que vão ser denunciados ou que a foto será enviada à polícia. Mas Tr3ze também diz que muitos gostam do contato. “Por serem totalmente ignoradas socialmente, elas querem conversar, querem ser escutadas”, disse.

*Estagiário sob supervisão de Odair Braz

Fonte: Agência Brasil
Esta notícia foi publicada respeitando as políticas de reprodução da Agência Brasil.
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